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1981 - MORRE O DIRIGENTE DO IRA BOBBY SANDS APÓS 66 DIAS DE GREVE DE FOME

Atualizado: 2 de Jun de 2020

Artigo:

1981 - Morre o Dirigente do IRA Bobby Sands Após 66 Dias de Greve de Fome


AUTOR: Max Altman | ANO: 2013

Fonte: Site OperaMundi



Reivindicação do irlandês era ser tratado como prisioneiro político, em vez de criminoso comum.


Em 5 de maio de 1981, o militante irlandês católico e dirigente do IRA (Irish Republican Army), Bobby Sands, morre na prisão após greve de fome de 66 dias em protesto contra o tratamento a ele dispensado pelas autoridades britânicas. Ele reivindicava ser tratado como prisioneiro político, e não como criminoso.

A notícia de sua morte provocou imediatas manifestações em Bristol, com fortes enfrentamentos entre militantes do IRA e patrulhas do exército britânico, inclusive com emprego de armas de fogo. Bobby Sands nasceu numa família católica em área protestante de Belfast, Irlanda do Norte, em 1954. Em 1972, a violência sectária obrigou sua família a mudar-se para um centro residencial público na área católica, onde Sands foi recrutado pelo IRA Provisório, formado em 1969 após uma cisão com o IRA Oficial e que defendia a luta armada como meio para conquistar a independência da Irlanda do Norte. O IRA Provisório era a ala amplamente majoritária e, posteriormente, passou a ser designado simplesmente como IRA.


Painel com homenagem a Bobby Sands Segundo o IRA, após a independência, a Irlanda do Norte se uniria à República da Irlanda para formar uma república socialista irlandesa. Em 1972, Sands foi preso e condenado por ter participado de várias ações armadas. Por ter sido condenado pelas atividades do IRA, foi lhe concedido “status de categoria especial” e enviado a uma prisão que mais se parecia a um campo de prisioneiros de guerra, que dispensava a roupa de prisioneiro comum e lhe dava liberdade de movimentos dentro dos limites da prisão. Ali passou 4 anos. Menos de um ano depois de sua libertação, Sands voltou a ser preso em 1977 por posse de arma, perto do local de um atentado do IRA, e foi sentenciado a 14 anos de prisão. Pelo fato do governo britânico ter promulgado uma política de criminalização dos terroristas irlandeses em 1976, Sands ficou preso como perigoso criminoso na penitenciária de Maze, ao sul de Belfast. Durante os anos que se seguiram, juntando-se a outros prisioneiros do IRA, passou a exigir o restabelecimento das liberdades que gozava sob o status de categoria especial. Em 1980, uma greve de fome durou 53 dias antes de ser suspensa quando um dos grevistas entrou em coma. Em resposta, o governo de Londres ofereceu algumas concessões aos prisioneiros, mas deixou de cumprir todas as promessas e os protestos foram retomados. Sands não participara diretamente da greve de 1980, porém funcionou como o líder do IRA e porta-voz dos prisioneiros grevistas. Em 1º de março de 1981 – 5º aniversário da política britânica de criminalização -, Bobby Sands inicia uma nova greve de fome. Tomava apenas água e sal e seu peso caiu de 70 para 43 quilos. Passadas duas semanas, outro prisioneiro juntou-se à greve de fome e, logo depois, mais dois. 

Em 9 de abril, no meio da greve, Sands foi eleito para uma cadeira vacante no Parlamento britânico pelo distrito Fermanagh e South Tyrone, na Irlanda do Norte. O Parlamento, contudo, aprovou em seguida legislação para impossibilitar que condenados cumprindo pena em prisão fossem eleitos para o Parlamento. Sua eleição e temores de violência no caso de morte atraíram atenção internacional para o protesto de Sands. Em sua última semana de vida, o papa João Paulo II enviou um representante pessoal a fim de instar Sands a suspender a greve. Ele recusou. Em 3 de maio entra em coma e, no começo da manhã de 5 de maio, falece. Confrontos de rua explodem em Belfast durante dias e dezenas de milhares de pessoas acompanharam os seus funerais em 7 de maio. Após a morte de Sands, a greve de fome prosseguiu e mais 9 homens perderam a vida antes que fosse suspensa em 3 de outubro de 1981, sob intensa pressão da Igreja Católica e dos familiares dos prisioneiros. No dia seguinte ao fim da greve, o governo da primeira-ministra Margaret Thatcher concordou em ceder a algumas das exigências dos prisioneiros, inclusive o direito de trajar roupas civis e de receber correspondência e visitas. Foi-lhes permitido também mover-se mais livremente dentro do presídio e não mais estarem sujeitos a pesadas penalidades por recusar trabalhos prisionais. Todavia, nenhum reconhecimento de status de preso político lhes foi concedido.




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